domingo, 14 de novembro de 2010


O Menino Que Foi Ao Vento Norte (conto Popular) Bia Bedran

Uma vez um menino foi fazer compras para a sua mãe e
quando ele estava voltando para casa carregadinho de
compras...
- Não, não, vento! Não, ai esse vento vai me carregar!
Socorro! Minhas compras! Adeus! Adeus!
O vento carregou todas as compras do menino. E ele,
muito chateado, foi lá na casa do Vento Norte
reclamar:
- Como é seu Vento Norte?
Mas isso é coisa, oi, que se faça?
O que é que eu vou dizer lá em casa pra mamãe?
O que é que vou dizer lá em casa?
- Ora meu filho! Eu sou o Vento. Eu tenho que ventar!
Mas olha, em troca eu vou te dar uma toalha mágica.
Toda a vez que você quiser comer alguma coisa você
diz: ?Bota a mesa toalha.? E ela vai colocar coisas
gostosas pra você. Vá menino, vá!
O menino ficou tão feliz com o presente. Foi embora
todo contente para mostrar para a mãe dele. Mas já
estava escurecendo e ele teve que dormir num hotel.
Quando ele chegou no hotel, ele testou a toalha. Então
ele disse assim:
- Bota a mesa toalha!
Hum! E apareceu bolo de fubá, queijadinha, pastel de
queixo, pastel de camarão, brigadeiro, tutu de feijão,
gelatina com creme, mashmello, sorvete de chocolate...
Nossa! O menino comeu tudo aquilo e foi dormir.
O dono do hotel era ladrão. Quando ele viu aquilo...
Ele não agüentou. Enquanto o menino dormia com a
toalha do lado, ele foi lá e trocou a toalha por uma
igual, mas que não era mágica.
O menino não sabia de nada. Foi correndo avisar a mãe
todo contente.
- Benção, mãe! Nunca mais nós vamos passar fome aqui
em casa! Olhe, a toalha é mágica. Foi o vento que me
deu:
- Bota a mesa toalha!
Essa toalha não era mágica e o menino, danado da vida,
foi correndo pra casa do Vento Norte reclamar:
- Como é seu Vento Norte?
Isso não é uma toalha mágica.
O que é que eu vou dizer lá em casa pra mamãe?
O que é que eu vou dizer lá em casa?
- Ora meu filho! Eu te dei uma toalha mágica sim, mas
já que você não tem mais a toalha eu vou te dar agora
um carneiro mágico. Toda a vez que precisar de
dinheiro você diz: ?Dinheiro carneiro!? e ele vai te
dar moedas de ouro. Vá menino, vá!
Que presente! O menino ficou maravilhado. Mas foi
dormir naquele mesmo hotel. Quando chegou lá ele
testou o carneiro:
- Dinheiro meu carneiro!
Mil moedas de ouro apareceram. O menino ficou tão
feliz! Colocou o carneirinho pro lado e foi dormir.
O dono do hotel quando viu aquilo... O olho cresceu
mais ainda. Enquanto o menino dormia, ele foi lá e
trocou o carneiro... por um igual, mas que não era
mágico.
O menino não sabia de nada. Foi correndo no dia
seguinte avisar a sua mãe:
- Benção, mãe! Que alegria! Nunca mais vai faltar
dinheiro aqui em casa, mamãe. O carneiro é mágico.
Olha:
- Dinheiro carneiro!
E o carneiro olhava assim para o menino e só dizia
mé... mé... Dinheiro que é bom, nada!
E o menino, danado da vida, foi lá na casa do Vento
Norte reclamar:
- Como é seu Vento Norte?
Isso não é um carneiro mágico.
O que é que eu vou dizer lá em casa pra mamãe?
O que é que eu vou dizer lá em casa?
- Ora menino! Estão fazendo você de bobo. Veja bem: eu
vou te dar agora uma bengala mágica. Toda a vez que
você precisar de ajuda você diz: ?Socorro bengala!? E
ela vai te socorrer. Vá menino, vá!
O menino não era bobo não. Ele foi para aquele hotel
só para fingir que estava dormindo. Colocou a bengala
ao lado e ficou assim esperando. Quando o dono do
hotel foi ali, pé ante pé para trocar a bengala por
uma que não era mágica...
_ Socorro bengala! Dá-lhe bengala! Seu olho grande!
Devolve tudo pra mim. A toalha, o carneiro. Vai
bengala! Seu olho grande! Viva a bengala!
E o dono do hotel teve que devolver tudo. O carneiro,
a toalha e a bengala. E o menino voltou pra casa,
feliz da vida, com seus presentes.
E o menino voltou pra casa
com o carneiro, a toalha
e a bengala também.
Feliz da vida com seus presentes
e essa história termina bem.

http://www.vagalume.com.br/bia-bedran/o-menino-que-foi-ao-vento-norte-conto-popular.html#ixzz10xT3dyRM

O menino que foi ao vento norte (Bia Bedran) e a Minhoquinha







domingo, 14 de março de 2010

ARTE POR ENCANTO POR ENQUANTO






COMPÊNDIO PARA USO DA PALAVRA
Por: Rose Mary Ferreira Almeida

Alfabetizar de um jeito despretensioso e absolutamente adorável é aprender que palavras têm sentimento. Basta para isso perceber que errando a língua se pode subvertê-la desinventando palavras, renovando-as ou mesmo atravessando-as sem rumo, salvá-las da mesmice fazendo um brinquedo de palavras e despalavras.

É demasiado importante a capacidade de usar o diálogo como recurso para ensinar e desenvolver em cada aprendiz o que Paulo Freire chamava de “ consciência crítica” ( o Brasil ainda precisa descobrir o valor de suas idéias). Respeitar a diversidade cultural do que transmitir conteúdos faz com que os alunos produzam textos significativos ainda que não saibam gramaticalmente escrever.

Na escola deverá existir um espaço “ Nossa Galeria de Arte” onde serão expostas reproduções de obras de arte (ampliação das ilustrações do livro “História em Quadrões”), som com músicas clássicas, as crianças tendo acesso através da visão, audição, imaginação, ou seja, a obra oferece sua contemplação à criança, mas antes é preciso que esse tipo de atividade seja feito também pelo professor , que ele sinta seu corpo refletido no expressivo “Pensador” de Rodin, que se angustie contemplando de como em Van Gogh um campo de trigo exerceu Deus na incapacidade do artista em expressar com palavras sua tristeza e extrema solidão no registrar a imensidão da paisagem admirada. E novamente “meu” Manoel de Barros “ as coisas que não existem são mais bonitas. Palavras têm sentimentos”. Temos que ir nelas antes que sejam modeladas por mãos.

Em atividade familiariza-se a criança com os artistas das obras vistas e ouvidas, pede-se às crianças que produzam trabalhos em cima destas obras oferecendo argila, papel, tintas, lápis, recortes...

Enfim se integra a arte às outras disciplinas fazendo conexão viabilizando a interdisciplinaridade e transversalidade.

Só terá que se ter cuidado com a excessiva preocupação pedagógica pois a palavra tem que dar prova, insinuar-se para o aprendiz de que o deseja.

E o que é o mundo hoje? daí, que ao prestar vestibular mobiliza-se em transmutar a esterilidade acadêmica em arte e assim sairá um profissional que fará o mundo ser mais bonito.



Sugestões de filmes:
- “ Sociedade dos poetas mortos”
- “ Dreams”- Sonhos de Akira Kurosawa
- “ Adoráveis mulheres”
- “ Billy Elliot”
- “ Chocolat”
- “A vida em preto e branco”
- “A família excêntrica de Antônia”
- “Amadeus” (vida de Mozart)
- “Minha amada imortal” (vida de Beethoven)
- “O carteiro e o poeta”

sábado, 13 de fevereiro de 2010


ROTEIRO 1º DIA

OFICINA: O CURRÍCULO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E A LEI 11.645

DINÂMICA DAS FLORES:

Leve flores de diferentes cores e formas para a classe e deixe que cada aluno escolha uma. Depois, pergunte o que chamou a atenção deles para escolher aquela flor. Peça-lhes que percebam as diferentes cores, o perfume, a textura, as diferentes formas... Chame sua atenção para o fato de as flores serem diferentes e nem por isso menos belas e apreciadas. Depois, peça que olhem uns para os outros. Assim como as flores, cada um é diferente, mas não menos importante. Muitas coisas variam: cor e tipo de cabelo, formato e cor dos olhos, tamanho do nariz, altura, cor da pele, etc.


DINÂMICA DAS CORES:
Leve um aparelho de som para a classe e coloque uma música suave. Espalhe lápis de várias cores sobre a mesa e peça para as crianças escolherem a cor que mais lhes agrada. Haverá cores iguais e cores diferentes. Converse com elas sobre como seria o mundo se tudo fosse de uma só cor... É bom haver cores diferentes e por quê?

Depois, peça que olhem uns para os outros. Assim como as cores, cada um é diferente. Muitas coisas variam: cor e tipo de cabelo, formato e cor dos olhos, tamanho do nariz, altura, cor da pele...

Meninos de todas as cores...
Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
É bom ser branco
porque é branco o açúcar, tão doce,
porque é branco o leite, tão saboroso,
porque é branca a neve, tão linda.
Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:
É bom ser amarelo
porque é amarelo o Sol
e amarelo o girassol
mais a areia da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:
É bom ser preto
como a noite
preto como as azeitonas
preto como as estradas que nos levam para
toda a parte.
O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos.
Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
É bom ser vermelho
da cor das fogueiras
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:
É bom ser castanho
como a terra do chão
os troncos das árvores
é tão bom ser castanho como um chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
É bom ser branco como o açúcar
amarelo como o Sol
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras
castanho da cor do chocolate.
Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.

Meninos de todas as cores, Luísa Ducla Soares
Aventura das Letras
Porto, Porto Editora, 2003

(Paty Fonte: www.projetospedagogicosdinamicos.com )

Por uma pedagogia da educação infantil

Maria Lucia A. Machado.

No final dos anos 80, e ao longo de toda a década de 90, a necessidade da definição de um currículo que orientasse o trabalho pedagógico para crianças de 0 a 6 anos foi um tema ao qual me dediquei. Certa ocasião, ao entrar em uma livraria, pedi ajuda à vendedora para localizar os títulos disponíveis nesse tema. Quando especifiquei a faixa etária, ouvi uma exclamação interrogativa: currículo para bebês??? Foi minha vez de ficar espantada. Como pedagoga que sou, parecia natural tratar a função educativa das instituições de educação infantil com as mesmas ferramentas utilizadas pelos profissionais da educação de qualquer outro nível de ensino. Porém, não se tratava de propor uma antecipação da escolaridade com o formalismo do modelo presente, por exemplo, no ensino fundamental. Por outro lado, parecia-me imprescindível, para direcionar o trabalho dos profissionais que atuavam em instituições de educação infantil, traduzir uma intencionalidade educativa em atividades cotidianas de modo sistematizado. Anos passaram-se e a educação das crianças, desde que nascem até completarem 6 anos, está a cada dia mais incorporada na visão corrente como parte do sistema educacional, a primeira etapa da educação básica. O desafio que permanece é o de delimitar o que é específico da educação infantil.

A verdade é que currículo configura-se em uma palavra que aparece aplicada à situação de ensino-aprendizagem formal, ora com um sentido bem específico, para definir o conjunto de disciplinas e conteúdos a serem ensinados pela escola a seus alunos, ora com um significado amplo, para designar tudo o que acontece na escola. Para identificar o trabalho das instituições de educação infantil, a expressão que vem sendo utilizada com maior freqüência é proposta ou projeto pedagógico. Penso que a expressão projeto pedagógico é mais adequada, pois traz em seu bojo a idéia de plano expresso por meio de linhas que sugerem uma organização com determinada finalidade a partir das concepções, dos sonhos e das intenções daquele(s) que projeta(m). Definir um projeto implica tomar posições, decidir e escolher, levando-se em conta as limitações e as possibilidades do real. Partir de uma realidade configurada, mas também anteceder uma ação concreta no real, estabelecendo condições a priori para as mesmas. O termo projeto sugere também a idéia de esboço, de incompletude a ser traduzida em realidade, permanentemente transformada pelo inédito presente na dinâmica do cotidiano.

Tenho utilizado a expressão projeto educacional e pedagógico, pois entendo que com bebês e crianças muito pequenas a função educativa, exercida primeiramente pela família, concretiza-se e amplia-se com o trabalho pedagógico dos profissionais de educação infantil, este, sim, obrigatoriamente intencional e sistematizado, comprometido com a sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento das crianças de 0 a 6 anos de idade. Não se trata de realizar atividades pedagógicas, de utilizar jogos pedagógicos, nem de fazer almoços pedagógicos, de dividir o tempo e montar uma rotina com atividades educativas e atividades pedagógicas, de organizar o trabalho dos adultos, responsabilizando uns pelas atividades pedagógicas, outros pelas educativas. Fazer gelatina com um grupo de crianças pode ser uma grande brincadeira ou uma forma de observar a transformação dos estados da matéria. O caráter pedagógico da educação infantil não está na atividade em si, mas na postura do adulto frente ao trabalho que realiza. Se para ele este é o momento de reviver lembranças de sua infância, suas atitudes e sua linguagem serão diferentes das que manifestará se estiver aí para cumprir mecanicamente um planejamento pré-determinado, ou se está envolvido com uma prática que leve à ampliação do repertório infantil. O projeto educacional e pedagógico define-se, então, como sendo o conjunto de intenções, ações e interações presentes no cotidiano de qualquer instituição que atenda regularmente crianças entre 0 e 6 anos, devendo estar registrado em documentos escritos pela equipe de profissionais.

O conjunto de intenções diz respeito aos pontos de partida que determinado grupo de profissionais de uma instituição ou de uma rede de instituições tem como consensual entre si, no que se refere à concepção de criança pequena, à função da instituição e da educação infantil, ao papel dos profissionais, da família e da comunidade. Nessa perspectiva, a chamada "rotina", ou seja, a sucessão das atividades compreendidas entre a hora de chegar e a de ir embora, não se define por si mesma. As formas de organização dos tempos, dos espaços, dos materiais e dos agrupamentos, os procedimentos durante situações específicas, tais como o período de integração das crianças novas, os dias de chuva ou de festa, as emergências médicas, enfim, a programação do dia-a-dia é definida a partir das decisões dos adultos, as quais são orientadas por significados mais amplos.

Como traduzir intenções, realizar ações e promover interações de modo sistematizado em um projeto educacional e pedagógico para educação infantil? Como fazer isso de modo simples e ao mesmo tempo claro? Opto por um modelo que não se baseia em áreas do conhecimento ou disciplinas preestabelecidas, mas na compreensão de que a criança pequena deve ser o foco principal das decisões e ações dos profissionais que a rodeiam. Entendo que a função maior da educação infantil é a de promover e assegurar o bem-estar, o crescimento e o desenvolvimento de bebês e crianças pequenas, atendendo às suas necessidades e aos seus interesses, respeitando a cultura em que se encontram e, ainda, ampliando permanentemente as fronteiras desse universo.

Considero que as crianças de 0 a 6 anos são seres humanos em uma fase de vida na qual dependem intensamente do adulto e, por isso, precisam:

• ser auxiliadas nas atividades que não podem realizar sozinhas;
• ser atendidas em suas necessidades de segurança, nutrição, higiene e saúde;
• ter atenção especial por parte do adulto em momentos peculiares de sua vida.

Além disso, as crianças dessa faixa etária devem ser apoiadas em suas iniciativas espontâneas e incentivadas a:

• brincar e movimentar-se em espaços amplos;
• expressar sentimentos e pensamentos;
• desenvolver a imaginação, a curiosidade e a capacidade de expressão;
• ampliar permanentemente conhecimentos sobre a natureza e a cultura;
• diversificar atividades, escolhas e companheiros de interação.

Assim, um projeto pedagógico e educacional para educação infantil deve pautar-se não só em um programa de atividades específicas, mas também nas intenções que se evidenciam em ações e interações de crianças e adultos, pais e profissionais de educação infantil, os quais, por sua vez, traduzirão o reconhecimento de que a criança é - desde que nasce e desde que é bebê - capaz de agir e interagir, de produzir cultura e de ser sujeito de direitos.

Reconhecer que meninas e meninos têm direito de escolha implica não somente equipar o ambiente com diferentes tipos de brinquedos industrializados e/ou artesanais, como também adotar uma atitude de aceitação das preferências individuais. Garantir que todos sejam ouvidos, escutar com atenção as explicações infantis ou respeitar a ordem e a estética nas produções das crianças é, por sua vez, uma postura de defesa da expressão de sentimentos e pensamentos. Variar os ingredientes na alimentação, incentivar a presença masculina, misturar os agrupamentos em determinadas situações, possibilitando interações de crianças mais velhas e mais novas, é uma das maneiras de defender o direito à diversidade. Admitir que desde bebês as crianças podem e devem entrar em contato diário com o sol e prover condições para isso é uma manifestação tanto de reconhecimento das necessidades de saúde dos bebês quanto de apreço pelo direito à natureza.

Já o direito à cultura pode ser concretizado provendo-se condições para que as crianças entrem em contato com a sua história, a da sua família, a da sua cidade ou a de seu país, bem como permitindo que entrem em contato com as diferentes formas de trabalho e transformação da natureza em valores, produtos e significados culturais.

Ademais, o reconhecimento de que a educação infantil é dever do Estado e opção da família implica o estabelecimento de um vínculo de confiança e parceria, mantendo uma comunicação periódica e sistemática com os pais (reuniões, relatórios, entrevistas, etc.), incorporando reivindicações nas decisões tomadas, reconhecendo interesses e saberes dos mesmos.

Finalizando, o reconhecimento de que a criança tem, desde bebê, direito a profissionais comprometidos implica organizar o trabalho dos adultos de forma a não sobrecarregá-los, tendo como meta a busca de melhoria permanente por meio da formação permanente. Essa é a utopia dos que defendem uma pedagogia específica para a educação infantil.
REVISTA PÁTIO. Ano II - Nº 05 - Que currículo para a Educação infantil? - Agosto à Novembro de 2004.

Mensagem:

“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

(John Donne, poeta inglês)

Muitos autores têm afirmado que as escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Cada vez mais percebemos a importância da educação ser pensada como meio de promover a própria vida.
Infelizmente, o currículo atual da maioria das escolas ainda prioriza o desenvolvimento cognitivo, o conteudismo, excluindo a emoção humana e o afeto do processo ensino-aprendizagem.
Para que tenhamos uma educação mais humanista se faz necessário que o educador abandone as velhas concepções de ensino e busque uma nova visão que possa construir uma sociedade mais justa, democrática e solidária.
É necessário que o professor invista na formação de vínculos afetivos, acreditando na pessoa e compreendendo seus limites individuais. O educador precisa recuperar a afetividade na escola, não somente o afeto que consola, mas também o afeto que impulsiona, pois aponta caminhos e reconstrói a esperança num mundo melhor.
Nos primeiros dias de aula é fundamental sondar as expectativas do grupo e integrá-lo. Portanto, inicie de forma acolhedora e afetiva, assim ficará mais fácil planejar aulas onde os sentimentos estejam presentes e não só a razão.
(Paty Fonte: www.projetospedagogicosdinamicos.com )

“Escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
A escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se 'amarrar nela'!”
(Paulo Freire)